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Thread poster: marco lessa
Acentuação gráfica em Português Brasileiro.
marco lessa
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May 7, 2008

MAMAE ANUNCIA O ANUNCIO

Se você é um falante brasileiro, você vai ler corretamente este título: maMAE anunCIA o aNUNcio, mesmo sem o acento gráfico.
E por quê? Porque sua mamãe ensinou você a pronúncia correta. Sua mamãe ensinou você a falar, a pronunciar as palavras em Português corretamente.
Sua mamãe ensinou você o acento tônico das palavras quando você ainda estava na barriga dela. É um milagre!
Então pra que essa coisa feia em cima das palavras, que chamam de acento gráfico em palavras que você sabe pronunciar corretamente desde pequenininho?
Me responda, ou responda-me, senão te devoro (ou devoro você)!
Pura sacanagem, como diz o presidente!
É isso mesmo: sacanagem da grossa!
Quem são os sacanas: os gramáticos? É claro. Eles vivem de atrapalhar a vida de quem escreve todo o santo dia, com essas besteiras.
Veja essa regrinha idiota (simplificada por mim): toda palavra paroxítona terminada em i (s) leva acento agudo na sílaba tônica, por ex.: ‘júri, lápis, íris, tênis, beribéri, miosótis, dândi.
Você se lembra daquele tolo Atol, à-toa, e à toa, chamado Bikini, que fica no Oceano Pacífico (sic)? Pois é, foi lá, em 1946, que acabou a moral e começou a imoralidade (estou falando da bomba...).
Como é que sua mamãe ensinou você a falar esse nome feio? BIquini, biQUIni, ou biquiNI? Se você fosse francês, iria dizer biquiNI; mas você é brasileiro e fala biQUIni.
Ora, se você diz biQUIni, então a palavra é paroxítona, e como termina em i, leva acento, pela regra; como o k é um fora-da-lei (parece que vão anistiá-lo daqui a pouco), substituíram-no por QUI, e ficou Biquíni, em Português.
Não é perfeitamente idiota? E quando anistiarem o K?
Me diga (ou diga-me): por que é que Português tem acento? Inglês não tem acento gráfico, mas tem acento tônico, como o Português, e todo inglês lê corretamente as palavras. Veja só a expressão: black bird. Qualquer humilde súdito de Sua Majestade britânica pronuncia: BLAck BIRd. Veja esta outra: Blackbird. O inglês pronuncia: BLACKbird. E não tem acento nenhum pra ajudar. Até palavra portuguesa eles sabem pronunciar. Veja a palavra simpatico. Eles pronunciam simPAtico. A palavra em Inglês é proparoxítona, como em Português, simpático; é uma palavrinha muito simpática, não carece de tradução... E, em Inglês, não tem acento gráfico nenhum pra ajudar.
E o francês? Veja só a palavra élève. O francês pronuncia ELEV. Se você não é francês, dane-se. Mas, pera aí. Essa palavra tem dois acentos, um pra lá e outro pra cá, pra ajudar (ou atrapalhar) a gente. É... você tem razão. Mas e o último e? Ah, só eles é que sabem que esse e é mudo! Veja essa outra: élevé, com dois acentos na mesma direção (agora tá certo?). Pronuncia-se ELVE. Ué, o e do meio agora é que ficou mudo? Cadê o acento pra dizer que é mudo? Então, não tendo acento não se pronuncia? (muxoxo). É pena, mas não tem sinal gráfico pra muxoxo, nem pra clique; mas nossa língua não tem clique. Só pra falar com cavalo... (falar com cavalo?).
Minha proposta é a seguinte: vamos ficar só com o acento tônico, que é nosso de nascimento e vamos acabar com o acento grafico. Que tal? Voces topam?

Exercício.
Acentue, se puder:
Abadia, acaro, acume, aerolito, agape, agapa, alcool, alamo, alano, alcandor, alcova, algaravia, alibi, almacega, aloes, alvedrio, alveo, alveolo, ambrosia, ambrosia, amnesia, anelito, autoctone, autopsia, avaria, avaro, azafama, bafio, batavo, bigamo, avaria, assedio, arquetipo, boemia, blasfemia, blasfemo, pensil, periplo, pletora, polipo, pudico, refrega, reseda, rocio, rocio, apotema, anemona, eden, decada, cibele, chavena, bororo, bororo, bolide, soror, bigamo, inodoro, lapide, libelo, papiro, ortoepia, unix, necropsia, recondito, ureter, valido, valido, zangao, zefiro, tulipa, textil, sibilo, ruim, rocio, rocio, refrega, sucubo, torcicolo, umbria, vermina, zizifo, partenon, refem, cafila, quichua, prurido, paroco, orbita, orgia, nubil, nucivoro, nazir, nazi, microfono, microfone, microfilo, icone, decano, dactilo, damata, aziago, azigo, assecla, assintota, astasia, atafona, anticrese, alcoolatra, alcion, alibi, algaravia, e chega por oje...


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Paul Dixon  Identity Verified
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Falta de acentos May 10, 2008

Em resposta à mensagem do Marco, digo que na minha opinião o problema com o português é a *falta* de acentos, e não a presença deles.

O acento que mais faz falta no português é o acento diferencial, que vigorava de 1943 a 1971. Quando este acento estava em vigor, não tinha como errar a pronúncia de uma palavra. Já com o fim deste acento, fica difícil saber a pronúncia de palavras como "sede" (pode ser aberto ou fechado segundo o sentido) - mas se a vontade de beber fosse escrito "sêde" como antigamente não haveria esta dúvida.

Gostaria de ouvir um estrangeiro, uma criança ou um iletrado tentando ler frases como:

Ele ficou com sede na sede da empresa.

É de bom gosto, mas eu não gosto.

Eu gelo o gelo na geladeira.

Quando chego no porto, porto meus documentos.

Toda toda é uma ave.

Assim faço um apelo (que deveria ser "apêlo") para que o acento diferencial volte a vigorar.

Outro ponto que gostaria de comentar é que foi dito na mensagem que "o inglês não tem acentos", que não é totalmente verdade.

O inglês usa acentos em dois casos:

1) Palavras derivadas de línguas estrangeiras: élite (elite), façade (fachada), coup d'état (golpe de estado) e "mañana attitude" (aquela idéia, tão comum no Brasil, de "deixar para amanhã o que pode fazer hoje" e que, curiosamente, não tem tradução para o português);

2) Às vezes, usa-se um acento para acrescentar uma sílaba, normalmente na poesia para a métrica dar certo. Exemplo: a palavra "blessed" /blest/ (abençoado) pode aparecer como "blesséd" (neste último caso o segundo "e" é pronunciado, criando mais uma sílaba).


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marco lessa
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Melancolia gráfica. May 11, 2008

O ilustre mestre e A. consagrado - se é quem eu acho que é, autor de inúmeros dicionários de expressões idiomáticas em Inglês, que tenho em minha estante, e uso constantemente -, deu-me a honra de responder a meu pobre artiguete desancando o acento gráfico em Português, não o acento tônico, que é do gênio da língua e que nossa mãe nos transmitiu desde o berço, passando pela sala, e outros lugares menos nobres da casa em que nascemos e crescemos.
Mas, além do desvalido pranto pelo acento gráfico, que continua firme, apesar da inutilidade, o professor ainda defende a ressurreição do acento diferencial, este sim, defunto fétido desde 71. Só apelando para os milagres para conseguir essa graça.
Mas nem esse fora-da-lei morreu. Continua firme em 'fôrma', em 'pára', em 'quê', e outros que tais.
Mas o ilustre A. está em boa companhia, porque até o Aurélio, mestre consagrado da Língua, e autor do nosso querido dicionário, agora desbancado pelo Houaiss, lamenta o passamento do acento diferencial. Veja:
"Parece-nos inaceitável (não só nesta palavra, mas, talvez, sobretudo nela) a abolição do acento diferencial, (...) que estabeleceu alterações no sistema ortográfico de 1943. Considerem-se estes versos de Manuel Bandeira:
"Vai por cinqüenta anos/ Que lhes dei a norma;/Reduzi sem danos /A fôrmas a forma."
(Estrela da Vida Inteira, pág.51.)
Seria inteiramente impossível perceber o sentido da estrofe se não fora o acento diferencial."

Realmente irrespondível. O prof. também aduziu exemplos poéticos para justificar seu (dele) ponto de vista quanto à não-decapitação do acento gráfico e à ressureição do acento diferencial.

"Às vezes, usa-se um acento para acrescentar uma sílaba, normalmente na poesia para a métrica dar certo. Exemplo: a palavra "blessed" /blest/ (abençoado) pode aparecer como "blesséd" (neste último caso o segundo "e" é pronunciado, criando mais uma sílaba)."

Também irrespondível, como nas expressões estrangeiras adotadas sem inglesamento, porque não é costume do povo inglês tal aculturamento vocabular.
O Inglês aceita de bom gosto a grafia de palavras estrangeiras sem modificá-las. 'De gustibus coloribusque non disputator', e o caro prof. nos dá bastante exemplos.
Nós, ao contrário, gostamos de outras coisas, que os ingleses e americanos também apreciam, tenho certeza, mas, principalmente, de aportuguesar tudo. Veja o exemplo da palavra 'cheese'.
Desapareceu. Virou 'X': 'X-burger', 'X-salada', e... 'X-Tudo".
O prof., como o mestre Aurélio, chamou em seu (dele) auxílio terríveis paladinos poetas para defender o milagre da ressurreição do acento diferencial ou, pelo menos, da manutenção dele em 'fôrma', ao arrepio da lei de 71.
Com tais campeões, os poetas, não discuto, porque são excelsas criaturas e a língua - a arma - deles está muito acima da nossa do dia a dia.
Só quero lembrar ao ilustre mestre as palavras de outro poeta morto,desta vez latino, Horácio, em minha defesa, porque me sinto inerme diante de tais atletas:
"Usus quem penes arbitrium est et jus et norma loquendo."
Take care,
MP.







[Edited at 2008-05-11 17:24]


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marco lessa
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Toda, toda, é uma ave! May 11, 2008

Ele ficou com sede na sede da empresa.
É de bom gosto, mas eu não gosto.
Eu gelo o gelo na geladeira.
Quando chego no porto, porto meus documentos.
Toda toda é uma ave.

Estas são as frases inspiradas que o ilustre interlocutor cunhou para defender seu ponto de vista de que se deve ressuscitar o acento diferencial, defunto desde 71.
Fica evidente que todas são frases artificiais, todas construídas para servir a um propósito ad hoc e depois todas abandonadas definitivamente, por totalmente inúteis e totalmente sem aplicação prática, todas.
Uma dessas frases mais inspiradas é "toda toda é uma ave."
Poderíamos ampliá-la, ainda mais, dizendo:
"Ele disse em toda a sua toda que ia sair a toda porque todas as todas estavam em todas."
Pôr (olha aí o acento dif. moribundo; não morreu ainda) acento nesta frase não ajuda em nada a compreensão dela. Continua um excrescência vocabular, inútil, exótica, sem sentido.
As palavras se ligam em frases para fazerem sentido, para terem utilidade, para expressarem idéias, pensamentos, sentimentos.
O que o ilustre articulista pranteia inutilmente é a ausência do valor distintivo do acento tônico. Mas esse aspecto da língua continua vivo,porque estrutural, mesmo após a decretação da morte do acento diferencial.
A frase: "Toda toda é uma ave" é tão incompreensível para um falante anglófono quanto a frase "A black bird isn't a blackbird" para um falante lusófono. Mas, para um falante lusófono, é perfeitamente compreensível, como o é a frase inglesa para um anglófilo.
Veja esta outra: "Da duvida sempre duvida." Basta pontuar para aparecer o sentido: "Da duvida, duvida sempre." Não é necessário acento nenhum para entender que a primeira palavra é substantivo (obj. ind.) e, a segunda, verbo.
Basta uma simples pontuação para que o sentido fique claro, na frase usada como exemplo: "Toda, toda, é uma ave."
Esta frase se parece com àquela:"Meias para senhoras pretas". Basta pontuar para aparecer o sentido: "Meias para senhoras, pretas."
Ou, outra: "Duvida duvida cruel!". O verbo foi repetido para ênfase? Qual o sujeiro da oração?: Cruel? Basta pontuar para entender que a primeira palavra é verbo e, a segunda, substantivo: "Duvida, duvida cruel." O acento é inútil na compreensão. Ou, ainda: "Quando precisar de mim procure-me João." Basta pontuar e transpor:"Quando precisar de mim, João, me procure."
Todas as frases ambíguas do A. podem, se pontuadas, para perderem a amfibologia

Ele ficou com sede na sede da empresa=Na sede da empresa, ele ficou com sede.
É de bom gosto, mas eu não gosto=De bom gosto, é, mas eu não gosto.
Eu gelo o gelo na geladeira=Na geladeira, eu gelo, o gelo.
Quando chego no porto, porto meus documentos=Quando chego, no porto, porto meus documentos; ou: No porto, quando chego, porto meus documentos.

O que restou da argumentação aparentemente irrespondível? Nada!
Para demonstrar que são frases construídas ad hoc e que o falante do dia a dia não fala assim no dia-a-dia, podemos citar o exemplo de um amante que diz à amada para declarar seu amor e suas intenções de com ela constituir família:
- Eu te amo e quero ter filhos teus!
Nenhum simples apaixonado, senão um poeta, diria para significar a mesma coisa:

"Tens legendas pagãs nas carnes claras.
Tenho a alma dos faunos na pupila.
Se fores minha e fosse teu,
Do teu ventre nasceriam deuses."

Quem não é Inglês não pode entender:
"If you don't mind;
Mind the gap;
bring to mind;
cross one's mind;
have a mind of one's own;
in one's mind eye;
in two minds;
a load off one's mind;
mind one's p's and q's;
mind you;
dip one's mind;
to my mind."

Que não é brasileiro não entende:

Acho-te uma graça!
Amigo da onça;
Agüentar a mão;
Decujário;
Dei o beiço;
É o maior;
Tô liso;
Jogo duro;
Tô na pindaíba;
Perturbado;
Pisante;
Abater uma lebre;
Uva;
Vai por mim;
Vacinado;
Vê se te manca;
213;
Calça-amarela;
mil-e-um;
Dobradinha;
Fazer uma fita;
Vai dar BO;
Vão virar;
Barbie;
Buga;
Eu fazia;
Fervido;
Fofa;
Dar a Elza
Boa-noite-cinderela;
Bichinha-pão-com-ovo;
Boba;
BF.


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Paul Dixon  Identity Verified
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Quem sou May 12, 2008

Apenas para esclarecer que não sou aquele "mestre e A. consagrado" a quem o Sr. se refere. Aquele mestre (se é que estamos falando do mesmo) tem um S a mais no nome - *DIXSON*.

Eu sou Paul William Dixon, tradutor EN/PT/EN, que gosta muito de tradução e de idiomas em geral. Quem sabe, um dia posso até mesmo escrever dicionários, como fazia o Robert Dixson (este era o nome do mestre em questão).


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Bruno Magne  Identity Verified
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"Pera aí, tchê" May 16, 2008

Eu desisti de aprender italiano pois eu não conseguia pronunciar corretamente as palavras que tivessem acento tónico, porém não grafado, tipo piccolo. Como a minha mãe não é italiana, não tinha condição nehuma de aprender.

Pense bem, Marco. Já que estamos num país de imigração, como é que os estrangeiros vão aprender a pronunciar corretamente as palavras acentuadas? Não é para gabar-me, mas eu sou um dos poucos franceses que eu conheço que conseguem pronunciar pÁssaro e não passarÓ e de quem a maioria das pessoas é incapaz de descubrir a origem. Como aprendi o castelhano antes do português, muitos acham que sou um "hermano".


Bom fim de semana, tchê

Bruno



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marco lessa
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ALONZANFÃ May 17, 2008

Meu querido confrade brasilo-franco-platense:
Você acha mesmo que acento gráfico ajuda alguém a botar o outro acento, o tônico, no lugar certo em alguma língua viva? Estamos falando dos adultos, dos surdos adultos, dos analfabetos adultos e dos não-falantes adultos.
O acento tônico é do gênio da língua. A gente adquire, não aprende, no útero, na matriz. Adquirimos a fala como adquirimos a faculdade de andar, de respirar. Ninguém anda errado, ninguém respira errado, ninguém fala erra. Quando uma CRIANÇA VAI PRA ESCOLA, ELA JÁ SABE TUDO SOBRE A LíNGUA MATERNA. ELA JÁ SABE TUDO SOBRE O ACENTO TÔNICO, NÃO PRECISA DE ACENTO GRÁFICO NENHUM! FALANTE BRASILEIRO NÃO COMETE ERRO DE PORTUGUÊS.
PRIMEIRO PORQUE NÃO É PORTUGUÊS, É BRASILEIRO...
SEGUNDO, QUE NÃO EXISTE ERRO DE PORTUGUÊS, EXISTE ERRO DE GRAFIA.

Você aprendeu a pronunciar enjôo. Depois, te (?) disseram que você devia grafar enjôo. Agora te (?) dizem que não é mais enjôo, nem vôo, nem crêem, lêem, nem dêem.
Eu aprendi a grafar pharmacia, depois, farmácia. Não grafou como os gramáticos querem: ZERO na redação.
Uma criança adquire a fala na infância, Depois, a obrigam a identificar os sons que ela já conhece com uma CONVENÇÃO GRÁFICA.
O que foi um aprendizado prazeroso transforma-se num suplício.
Por exemplo: xixi e não chichi; açúcar, e não assúcar; acento e não assento; açucena e não assussena; micho e não mixo; lixo e não licho; viril e não viriu; macho e não maxu; super-homem e não superomem, mas super-Pelé...

-Se eu a vir, beijá-la-ei!
-Se você me vir, finja que não me viu.
-Entre ela e mim, não há nada.
-Se você a vir, intervenha; senão eu intervirei, porque ela já interveio.

Pura convenção estúpida e imperial.

Em Inglês, língua sem acento, como é que se faz pra pôr (por) o acento tônico? Tente pronunciar estas palavras inglesas (sic):
”The Fiancé’s Résumé”; “The Categorical Category”.
Duvido, malandro, que você acerte.
Résumé os ingleses pronunciam RÊsumê.(proparoxítona). Fiancé eles pronunciam fiÂNcê (paroxítona).
‘Categorical’ eles pronunciam ‘CAtegorical’ e ‘category’, ‘cateGÓri’.
Mas, você dirá, com razão, que as duas primeiras palavras vêm do Francês e são escritas exatamente como em Paris. Mas as outras duas também, mas através do Grego.
Mas quantas palavras francesas tem a Língua Inglesa (através do Latim):
A METADE!
Mas, veja, é quase impossível formar uma frase em Inglês sem usar uma só palavra anglo-saxônica.
Portanto, o Inglês permanece uma língua anglo-saxônica apesar de o Francês ter sido adotado (pela força; ou fôrça?) e a metade das palavras em Inglês serem (ou ser?) normanda:
“government, prince, sovereign, throne, crown, royal, state, country, people, nation, parliament, duke, count, chancellor, minister, council, honour, glory, courteous, duty, polite, conscience, noble, pity, fine, cruel, arch, pillar, palace, castle, tower, war (essa palavrinha tão detestada e que parece tão anglo, também é francesa: werre, werra! E se pronuncia UÓR; mas, veja, há uma outra palavra quase idêntica: wary, que a gente de barriga brasileira quer pronunciar UÔri; mas, não é uÉri! E cadê o acento pra ajudar?), peace, battle, armour, officer, soldier, navy, captain, enemy, danger, march, company, justice, judge, jury, court, cause, crime, traitor, prison, tax, money, rent, property, injury etc”
Castle e city são normandas, mas town, home e house, palavras da gente do povo, são anglo; relations, ancestors, descendants são normandas, mas father, mother, sister, brother, son e daughter são anglo. E por aí vai.

Mas agora pronuncie este título, tudo absolutamente inglês:
The Simpatico Signor Monsignor.
Simpatico é espanhol; monsignor (italiana, do F.) e signor (italiana, do L.).
Monsignor eles pronunciam monSInhôr (paroxítona) e signor, SInhôr, ou siNHÔR). Simpático, que a gente pensa que eles vão pronunciar SIMpatico, eles pronunciam como a gente mesmo: simpático (proparoxítona). Então fica: the simPAtico SInhor (ou siNHOR) monSInhor; e olhe que não tem acento nenhum para ajudar os não-falantes anglos. Meu chapinha, se você não nasceu de uma barriga inglesa, azar o seu!
Vá exigir acento gráfico dos americanos, ingleses, canadenses, neo-zelandeses, e outras terras.

O inglês, como o Francês, o Português, e outra qualquer língua do mundo, não foram feitos para estrangeiros, mudos, analfabetos, e sim para os autóctones bem-falantes (ou é bem falantes?)!
Você nasceu de uma barriga francesa e, portanto, adora baguette, vin rouge, metrô, boulot, parfum, femme, e tudo que for oxítona. Fazer o quê?
Você gosta de dizer ChigaGÔ, Sao PÔLO, irriguaNA, largo du machaDÔ, marCÔ pôLÔ e por aí afora. É o gênio da língua.
Quando você foi pra escola, em Paris (ah, que inveja!) você já pronunciava certinho: “J’ai peur de mon prof mais j’aime mon père”.

Mas, eu, um dia, convidei uma francesa (que antigamente se escrevia francêsa, pra distinguir do verbo francesar – eu franceso, tu francesas, ele francesa...) pra ir comigo ver a peça “Qui a père de Virginia Wolf?”
Que vexame! Fazer o quê. Não nasci de útero francês. Peur e père pra mim é a mesma coisa Acento não me ajudou em nada. Tive que OUVIR a francesa me dar um esporro ) ou (espôrro?) pra aprender. Doutra vez, pedi: deux amandines. Outro esporro: dêzamandine.
Eu brincava com meu neto, que nasceu em Paris e só falava Francês. Eu dizia: Tabac (taBAK); ele me corrigia sempre (tinha 5 anos): Non, vovô! C’est taBÁ. Quem ensinou a ele que o c é mudo? A mamãe dele, minha filha.
Ele via o c e mas tinha aprendido a identificar tabac com taBÁ. Se se escrevesse taback, dava no mesmo, mas não pro prof que ia dar zero no garoto se não escrevesse tabac...

Mas tem palavra em Português que nem com acento ou sem acento (porque caiu o acento diferencial) vai: “aia, Haia, baia, Bahia, baía, boêmia (como é que v. pronuncia?), ôba, ôba, obá, neta, neta (espuma de melado), taxi (chi; árvore), táxi, soco (tamanco), soco (murro), sutil, sútil, pega, pega, pego, pego, pia, piá, ruim, rabão, rabão, rego, rego, nefelíbata (como é que v. pronuncia?), nobel (como é que v. pronuncia?), lêvedo, libelo, aristobulo, augias, hierosólima, hierosolimitano, missúri, madagascar, otomanos, ovar, pandora, pavia, assíntota, atavio, austero, autóctone, avaria, avaro, avito, azáfama, aziago, batavo, esopo, espártaco, anuncio, anuncia, duvida, duvido, manha, manhã, créu, creio, craca, coquete, mocréia, mocho, murcho, mixou.

Quem nunca ouviu uma palavra como “facínora” tem a tendência de paroxitá-la (quê?). O acento atrapalha as crianças em lugar de ajudar. A tendência é dizer “faciNOra”. É difícil dizer faCÍnora, por isso são chamadas de esdrúxulas. Eu pronuncio ‘ru-im’. Errado, mas foi minha babá que me ensinou assim. Ela dizia “malco”, em lugar de “marco”. Dizia “guspir, em lugar de “cuspir”. Até hoje eu digo a minha filha:
-Não ‘guspa” no chão!
Nós temos um ilustre confrade que me disse que se se dissesse (omitindo o acento diferencial):
Toda toda é um pássaro!” Ficaria ininteligível. Mas basta pontuar que surge o sentido: “Toda, toda, é um pássaro.” Outro: “No porto porto meu passaporte”. Pontuado, tá na cara:”No porto, porto meu passaporte.
Mais difícil é pontuar essa:
”Mãe precisa tomar banho sua mãe!”

Meu chapa, se você não nasceu de barriga brasileira, azar o seu! Vai ter de aprender tudo de novo. E quando voltar pra França (que espero não seja logo), vão te (o quê?) perguntar onde você nasceu:

- Você fala bem Francês. Só tem um pouquinho de sotaque. Onde você aprendeu Francês?

Salut,
MP.
Marcopaulomlessa@gmail.com


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Jorge Waquim  Identity Verified
France
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pra que acentos? Nov 5, 2012

pra que a língua portuguesa quer acentos?
Línguas como o inglês não os têm e não é o caos.


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José Henrique Lamensdorf  Identity Verified
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Member (2007)
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Resumindo... Nov 5, 2012


Waquim wrote:
pra que a língua portuguesa quer acentos?
Línguas como o inglês não os têm e não é o caos.


Como disse um amigo meu:
O cágado é o guardião da acentuação.


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