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Off topic: A Língua Portuguesa
Thread poster: Maria Luisa Duarte

Maria Luisa Duarte  Identity Verified
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Sep 15, 2003

√ďla Colegas.
Hoje um pouco sobre a história da Língua Portuguesa, espero que seja do vosso interesse.

Embora a Península Ibérica fosse habitada desde muito antes da ocupação romana, pouquíssimos traços das línguas faladas por estes povos persistem no português moderno.

A l√≠ngua portuguesa, que tem como origem a modalidade falada do latim, desenvolveu-se na costa oeste da Pen√≠nsula Ib√©rica (actuais Portugal e regi√£o da Galiza, ou Gal√≠cia) inclu√≠da na prov√≠ncia romana da Lusit√Ęnia. A partir de 218 a.C., com a invas√£o romana da pen√≠nsula, e at√© o s√©culo IX, a l√≠ngua falada na regi√£o √© o romance, uma variante do latim que constitui um est√°gio intermedi√°rio entre o latim vulgar e as l√≠nguas latinas modernas (portugu√™s, castelhano, franc√™s, etc.).

Durante o per√≠odo de 409 d.C. a 711, povos de origem germ√Ęnica instalam-se na Pen√≠nsula Ib√©rica. O efeito dessas migra√ß√Ķes na l√≠ngua falada pela popula√ß√£o n√£o √© uniforme, iniciando um processo de diferencia√ß√£o regional. O rompimento definitivo da uniformidade lingu√≠stica da pen√≠nsula ir√° ocorrer mais tarde, levando √† forma√ß√£o de l√≠nguas bem diferenciadas. Algumas influ√™ncias dessa √©poca persistem no vocabul√°rio do portugu√™s moderno em termos como roubar, guerrear e branco.

A partir de 711, com a invas√£o moura da Pen√≠nsula Ib√©rica, o √°rabe √© adotado como l√≠ngua oficial nas regi√Ķes conquistadas, mas a popula√ß√£o continua a falar o romance. Algumas contribui√ß√Ķes dessa √©poca ao vocabul√°rio portugu√™s atual s√£o arroz, alface, alicate e ref√©m.

No per√≠odo que vai do s√©culo IX (surgimento dos primeiros documentos latino-portugueses) ao XI, considerado uma √©poca de transi√ß√£o, alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim, mas o portugu√™s (ou mais precisamente o seu antecessor, o galego-portugu√™s) √© essencialmente apenas falado na Lusit√Ęnia.

Entre os s√©culos XIV e XVI, com a constru√ß√£o do imp√©rio portugu√™s de ultramar, a l√≠ngua portuguesa faz-se presente em v√°rias regi√Ķes da √Āsia, √Āfrica e Am√©rica, sofrendo influ√™ncias locais (presentes na l√≠ngua actual em termos como jangada, de origem malaia, e ch√°, de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o n√ļmero de italianismos e palavras eruditas de deriva√ß√£o grega, tornando o portugu√™s mais complexo e male√°vel. O fim desse per√≠odo de consolida√ß√£o da l√≠ngua (ou de utiliza√ß√£o do portugu√™s arcaico) √© marcado pela publica√ß√£o do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.

No s√©culo XVI, com o aparecimento das primeiras gram√°ticas que definem a morfologia e a sintaxe, a l√≠ngua entra na sua fase moderna: em Os Lus√≠adas, de Luis de Cam√Ķes (1572), o portugu√™s j√° √©, tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, muito pr√≥ximo do actual. A partir da√≠, a l√≠ngua ter√° mudan√ßas menores: na fase em que Portugal foi governado pelo trono espanhol (1580-1640), o portugu√™s incorpora palavras castelhanas (como bobo e granizo); e a influ√™ncia francesa no s√©culo XVIII (sentida principalmente em Portugal) faz o portugu√™s da metr√≥pole afastar-se do falado nas col√īnias.

Nos s√©culos XIX e XX o vocabul√°rio portugu√™s recebe novas contribui√ß√Ķes: surgem termos de origem grecolatina para designar os avan√ßos tecnol√≥gicos da √©poca (como autom√≥vel e televis√£o) e termos t√©cnicos em ingl√™s em ramos como as ci√™ncias m√©dicas e a inform√°tica (por exemplo, check-up e software). O volume de novos termos estimula a cria√ß√£o de uma comiss√£o composta por representantes dos pa√≠ses de l√≠ngua portuguesa, em 1990, para uniformizar o vocabul√°rio t√©cnico e evitar o agravamento do fen√īmeno de introdu√ß√£o de termos diferentes para os mesmos objetos.

O mundo lus√≥fono (que fala portugu√™s) √© avaliado hoje entre 170 e 210 milh√Ķes de pessoas. O portugu√™s, oitava l√≠ngua mais falada do planeta (terceira entre as l√≠nguas ocidentais, ap√≥s o ingl√™s e o castelhano), √© a l√≠ngua oficial em sete pa√≠ses: Angola (10,3 milh√Ķes de habitantes), Brasil (151 milh√Ķes), Cabo Verde (346 mil), Guin√© Bissau (1 milh√£o), Mo√ßambique (15,3 milh√Ķes), Portugal (9,9 milh√Ķes) e S√£o Tom√© e Pr√≠ncipe (126 mil).Goa, Dam√£o e Diu na Rep√ļblica Indiana,. Macau na Rep√ļblica Popular da China, Timor Este e Malacca na Mal√°sia.(220 mil).

O portugu√™s √© uma das l√≠nguas oficiais da Uni√£o Europeia desde 1986, quando da admiss√£o de Portugal na institui√ß√£o. Em raz√£o dos acordos do Mercosul (Mercado Comum do Sul), do qual o Brasil faz parte, o portugu√™s ser√° ensinado como l√≠ngua estrangeira nos demais pa√≠ses que dele participam. Em 1994, √© decidida a cria√ß√£o da Comunidade dos Pa√≠ses de L√≠ngua Portuguesa, que reunir√° os pa√≠ses de l√≠ngua oficial portuguesa com o prop√≥sito de uniformizar e difundir a l√≠ngua portuguesa e aumentar o interc√Ęmbio cultural entre os pa√≠ses membros.
Na √°rea vasta e descont√≠nua em que √© falado, o portugu√™s apresenta-se, como qualquer l√≠ngua viva, internamente diferenciado em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto √† pron√ļncia, a gram√°tica e ao vocabul√°rio. Tal diferencia√ß√£o, entretanto, n√£o compromete a unidade do idioma: apesar da acidentada hist√≥ria da sua expans√£o na Europa e, principalmente, fora dela, a l√≠ngua portuguesa conseguiu manter at√© hoje apreci√°vel coes√£o entre as suas variedades.
No estudo das formas que veio a assumir a l√≠ngua portuguesa na √Āfrica, na √Āsia e na Oce√Ęnia, √© necess√°rio distinguir dois tipos de variedades: as crioulas e as n√£o crioulas. As variedades crioulas resultam do contacto que o sistema lingu√≠stico portugu√™s estabeleceu, a partir do s√©culo XV, com sistemas lingu√≠sticos ind√≠genas. 0 grau de afastamento em rela√ß√£o √† l√≠ngua m√£e √© hoje de tal ordem que, mais do que como dialectos, os crioulos devem ser considerados como l√≠nguas derivadas do portugu√™s.

Na faixa ocidental da Pen√≠nsula Ib√©rica, onde o galego-portugu√™s era falado, atualmente utiliza-se o galego e o portugu√™s. Esta regi√£o apresenta um conjunto de falares que, de acordo com certas caracter√≠sticas fon√©ticas (principalmente a pron√ļncia das sibilantes: utiliza√ß√£o ou n√£o do mesmo fonema em roSa e em paSSo, diferencia√ß√£o fon√©tica ou n√£o entre Cinco e Seis, etc.), podem ser classificados em tr√™s grandes grupos:

Dialetos portugueses setentrionais; e
Dialetos portugueses centro-meridionais.
A fronteira entre os dialetos portugueses setentrionais e centro-meridionais atravessa Portugal de noroeste a sudeste. Merecem aten√ß√£o especial algumas regi√Ķes do pa√≠s que apresentam caracter√≠sticas fon√©ticas peculiares: a regi√£o setentrional que abrange parte do Minho e do Douro Litoral, uma extensa √°rea da Beira-Baixa e do Alto-Alentejo, principalmente centro-meridional, e o ocidente do Algarve, tamb√©m centro-meridional.

Os dialetos falados nos arquip√©lagos dos A√ßores e da Madeira representam um prolongamento dos dialetos portugueses continentais, podendo ser inclu√≠dos no grupo centro-meridional. Constituem casos excepcionais a ilha de S√£o Miguel e da Madeira: independentemente uma da outra, ambas se afastam do que se pode chamar a norma centro-meridional por acrescentar-lhe um certo n√ļmero de tra√ßos muito peculiares (alguns dos quais igualmente encontrados em dialetos continentais).

A fala popular brasileira apresenta uma relativa unidade, maior ainda do que a da portuguesa, o que surpreende em se tratando de um pais tão vasto. A comparação das variedades dialetais brasileiras com as portuguesas leva à conclusão de que aquelas representam em conjunto um sincretismo destas, já que quase todos os traços regionais ou do português padrão europeu que não aparecem na língua culta brasileira são encontrados em algum dialeto do Brasil.

A insufici√™ncia de informa√ß√Ķes rigorosamente cient√≠ficas e completas sobre as diferen√ßas que separam as variedades regionais existentes no Brasil n√£o permite classific√°-las em bases semelhantes √†s que foram adotadas na classificac√£o dos dialetos do portugu√™s europeu. Existe, em car√°ter provis√≥rio, uma proposta de classifica√ß√£o de conjunto que se baseia - como no caso do portugu√™s europeu - em diferen√ßas de pron√ļncia (basicamente no grau de abertura na pron√ļncia das vogais, como em pEgar, onde o "e" pode ser aberto ou fechado, e na cad√™ncia da fala). Segundo essa proposta, √© poss√≠vel distinguir dois grupos de dialetos brasileiros: o do Norte e o do Sul. Pode-se distinguir no Norte duas variedades: amaz√īnica e nordestina. E, no Sul, quatro: baiana, fluminense, mineira e sulina.

Em Angola e Moçambique, onde o português se implantou mais fortemente como língua falada, ao lado de numerosas línguas indígenas, fala-se um português bastante puro, embora com alguns traços próprios, em geral arcaísmos ou dialetalismos lusitanos semelhantes aos encontrados no Brasil. A influência das línguas negras sobre o português de Angola e Moçambique foi muito leve, podendo dizer-se que abrange somente o léxico local.

Nos demais pa√≠ses africanos de l√≠ngua oficial portuguesa, o portugu√™s √© utilizado na administra√ß√£o, no ensino, na imprensa e nas rela√ß√Ķes internacionais. Nas situa√ß√Ķes da vida cotidiana s√£o utilizadas tamb√©m l√≠nguas nacionais ou crioulos de origem portuguesa. Em alguns pa√≠ses verificou-se o surgimento de mais de um crioulo, sendo eles entretanto compreens√≠veis entre si.

Essa convivência com línguas locais vem causando um distanciamento entre o português regional desses países e a língua portuguesa falada na Europa, aproximando-se em muitos casos do português falado no Brasil.

Pilar V. e Mendes
da Luz


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