Off topic: Conto erótico-gramatical
Thread poster: rhandler
rhandler  Identity Verified
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Oct 30, 2003

UM CONTO ER√ďTICO NA LEG√ćTIMA VERS√ÉO PORTUGUESA.....


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposi√ß√Ķes da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado
nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um
sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e
filmes ortogr√°ficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se
insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador p√°ra, s√≥ com os dois l√° dentro: √≥timo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sin√īnimos. Pouco tempo depois, j√° estavam bem entre par√™nteses, quando o elevador recome√ßa a se movimentar: s√≥ que em vez de descer, sobe e p√°ra justamente no andar
do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma
fonética clássica, bem suave e gostosa.

Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um
imperativo, todos os voc√°bulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu
ditongo crescente: se abra√ßaram, numa pontua√ß√£o t√£o min√ļscula, que nem um per√≠odo simples passaria entre os dois. Estavam nessa √™nclise quando ela confessou que
ainda era v√≠rgula: ele n√£o perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral e, quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu ap√≥strofo. √Č claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente ox√≠tona √†s vontades dele, e foram para o comum de dois g√™neros. Ela totalmente voz
passiva, ele voz ativa.

Entre beijos, car√≠cias, par√īnimos e substantivos, ele foi avan√ßando cada
vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu
predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edif√≠cio. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjun√ß√Ķes e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposi√ß√Ķes, locu√ß√Ķes e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentua√ß√£o t√īnica, ou
melhor, subt√īnica, o verbo auxiliar diminuiu seus adv√©rbios e declarou o seu partic√≠pio na hist√≥ria. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma met√°fora por todo o edif√≠cio. O verbo auxiliar se
entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo n√£o era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa mai√ļscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto,
comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mes√≥clise-a-trois. S√≥ que as condi√ß√Ķes eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao ger√ļndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com
o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


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Marcelo Fogaccia  Identity Verified
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Espetacular!!! Dec 11, 2003

Mas você já imaginou que pesadelo seria receber um texto desses para traduzir?


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Claudia da Matta  Identity Verified
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Muito legal! Dec 18, 2003

Que criatividade! Quem é o autor?

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rhandler  Identity Verified
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Nem fala! Dec 18, 2003

rhandler wrote:

UM CONTO ER√ďTICO NA LEG√ćTIMA VERS√ÉO PORTUGUESA.....


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposi√ß√Ķes da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado
nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um
sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e
filmes ortogr√°ficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se
insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador p√°ra, s√≥ com os dois l√° dentro: √≥timo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sin√īnimos. Pouco tempo depois, j√° estavam bem entre par√™nteses, quando o elevador recome√ßa a se movimentar: s√≥ que em vez de descer, sobe e p√°ra justamente no andar
do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma
fonética clássica, bem suave e gostosa.

Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um
imperativo, todos os voc√°bulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu
ditongo crescente: se abra√ßaram, numa pontua√ß√£o t√£o min√ļscula, que nem um per√≠odo simples passaria entre os dois. Estavam nessa √™nclise quando ela confessou que
ainda era v√≠rgula: ele n√£o perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral e, quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu ap√≥strofo. √Č claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente ox√≠tona √†s vontades dele, e foram para o comum de dois g√™neros. Ela totalmente voz
passiva, ele voz ativa.

Entre beijos, car√≠cias, par√īnimos e substantivos, ele foi avan√ßando cada
vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu
predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edif√≠cio. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjun√ß√Ķes e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposi√ß√Ķes, locu√ß√Ķes e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentua√ß√£o t√īnica, ou
melhor, subt√īnica, o verbo auxiliar diminuiu seus adv√©rbios e declarou o seu partic√≠pio na hist√≥ria. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma met√°fora por todo o edif√≠cio. O verbo auxiliar se
entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo n√£o era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa mai√ļscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto,
comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mes√≥clise-a-trois. S√≥ que as condi√ß√Ķes eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao ger√ļndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com
o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


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rhandler  Identity Verified
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N√£o sei dizer, recebi assim! Dec 18, 2003

Claudia da Matta wrote:

Que criatividade! Quem é o autor?


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