Off topic: Literatura de Cordel, um gênero de pouco ou nenhum valor?
Thread poster: Paulo Celestino Guimaraes

Paulo Celestino Guimaraes  Identity Verified
Brazil
Local time: 23:54
Member (2001)
English to Portuguese
+ ...
Feb 25, 2004

Uma pergunta postada no KudoZ.com - referindo-se a um tipo de literatura qualificada de "penny dreadful" teve o mérito de levantar uma outra questão que considero bastante interessante é a discussão em torno da Literatura de Cordel.
Seria esse g√™nero "romance de pouco ou de nenhum valor"(?)- conforme declara o Dicion√°rio de Express√Ķes Populares Portuguesas, Publica√ß√Ķes Dom Quixote, citado pela colega Susanne Rindlisbacher.
Fica a pergunta.
Abraços a todos,
Paulo


Direct link Reply with quote
 

Marcelo Fogaccia  Identity Verified
Local time: 23:54
English to Portuguese
+ ...
De forma alguma! Feb 25, 2004

Leiam este texto sobre a Literatura de Cordel que encontrei no sítio oficial da Academia brasileira de literatura de cordel (http://www.ablc.hpg.ig.com.br/):


Sobre Cordel

Na √©poca dos povos conquistadores greco-romanos, fen√≠cios, cartagineses, sax√Ķes, etc,

a LITERATURA DE CORDEL já existia, tendo chegado à Península Ibérica (Portugal e Espanha)

por volta do século XVI.

Na Península a LITERATURA DE CORDEL recebeu os nomes PLIEGOS SUELTOS (Espanha)

e folhas soltas ou volantes (Portugal) .

Este trabalho pretende oferecer aos leitores uma vis√£o abrangente e sucinta da literatura

de cordel, desde a vertente penínsular até sua evolução no Brasil, antecipando, porém, que o

sopro oxigenado que mantém viva esta manifestação popular, deve o Brasil aos vates do

nordeste.

Fruto de longa e exaustiva pesquisa dentro do universo da literatura de cordel, nossos olhos

percorreram ávidos, milhares de páginas dos autores mais conceituados para não haver a mínima

d√ļvida quanto a credibilidade da obra.

Florescente, principalmente, na √°rea que se estende da Bahia ao Maranh√£o esta maravilhosa

manifestação da inteligência brasileira merecerá no futuro, um estudo mais profundo e criterioso

de suas peculiaridades particulares...



"CORDEL" UM VERBETE POLÊMICO



Depois de criticar duramente o voc√°bulo "cordel", opina M√°rio Souto Maior: "Nossa arte devia se

chamar literatura popular ou poesia nordestina, menos literatura de cordel. Manoel dAlmeida Filho,

Alagoa Grande, Paraíba, 1914, Aracaju - Sergipe, 1995, um dos mais perfeitos poetas da literatura

de cordel, em mais de uma ocasi√£o se posicionou nitidamente conr√°rio ao verbete cordel.

Literatura popular - dizia - é o nome mais indicado.

De qualquer maneira o nome chegou de Portugale pegou. Os poetas, sem restrição, aceitam o

r√≥tulo de cordelistas, e as grandes manifesta√ß√Ķes p√ļblicas recebem os nomes de congresso

ou festival de cordel e repente.



CHEGADA DA LITERATURA DE CORDEL AO BRASIL



Oriunda de Portugal, a literatura de cordel chegou no balaio e no coração dos nossos

colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os

demais Estados do Nordeste. A pergunta que mais inquieta e intriga os nossos pesquisadores:

"Por que exatamente no nordeste?".A resposta não está distante do raciocínio livre nem dos

domínios da razão. Como é sabido a primeira capital da nação foi Salvador, ponto de convergência

natural de todas as culturas, ali permanecendo até 1763 quando foi transferida para o Rio de

Janeiro.

A indagação dos pesquisadores, no entanto, há lógica, porque os poetas de bancada ou

de gabinete, como ficaram conhecidos, como ficaram conhecidos os autores da literatura de

cordel demoraram a emergir do seio bom da terra natal. Mais tarde, por volta de 1750 é que

apareceram os primeiros vates da literatura de cordel oral. Engatinhando e sem nome, depois de

relativo longo período, recebeu o batismo de poesia popular.

Foram esses bardos do improviso os precursores da literatura de cordel escrita. Os registros

são muito vagos, sem consistência confiável de repentistas ou violeiros antes de Manoel Riachão

ou Mergulh√£o, mas Leandro Gomesde Barros nascido no dia 19 de novembro de 1865, teria escrito

a peleja de Manoel Riachão com o Diabo em fins do século passado ou, quando muito, no limiar

do presente. Na √ļltima estr√≥fe Leandro afirma, humilde, sincero e algo contemplativo:



"Esta peleja que fiz

n√£o foi por mim inventada,

um velho daquela época

a tem ainda gravada

minhas aqui s√£o as rimas

exceto elas, mais nada".



√Č-nos, portanto, rico documento esta afirma√ß√£o do Leandro porque nos evidencia a n√£o

contemporaneidade do Riach√£o com o rei dos autores da literatura de cordel.Veja, como ele d√°

um longo sentido de longa dist√Ęncia ao afirmar "Um velho dauqela √©poca a tem ainda gravada"



(Textos retirados do livro VERTENTES E EVOLUÇÃO DA LITERATURA DE CORDEL, escrito pelo

Presidente da Academia brasileira de literatura de cordel, o poeta, Gonçalo Ferreira da Silva)

Caso haja interesse em adquirí-lo, envie-nos um email: ablc@ieg.com.br


Direct link Reply with quote
 


To report site rules violations or get help, contact a site moderator:


You can also contact site staff by submitting a support request »

Literatura de Cordel, um gênero de pouco ou nenhum valor?

Advanced search






Wordfast Pro
Translation Memory Software for Any Platform

Exclusive discount for ProZ.com users! Save over 13% when purchasing Wordfast Pro through ProZ.com. Wordfast is the world's #1 provider of platform-independent Translation Memory software. Consistently ranked the most user-friendly and highest value

More info »
PDF Translation - the Easy Way
TransPDF converts your PDFs to XLIFF ready for professional translation.

TransPDF converts your PDFs to XLIFF ready for professional translation. It also puts your translations back into the PDF to make new PDFs. Quicker and more accurate than hand-editing PDF. Includes free use of Infix PDF Editor with your translated PDFs.

More info »



All of ProZ.com
  • All of ProZ.com
  • Term search
  • Jobs