A Última Flor do Lácio está morrendo lentamente!
Thread poster: Paul Dixon

Paul Dixon  Identity Verified
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Jan 1, 2009

Hoje entrou em vigor a infame reforma ortográfica, mais um passo na lenta morte do idioma que, após os tempos áureos quando Camões usou este idioma para relatar as suas viagens "por mares nunca d'antes navegados", tem se descaracterizado.

O crime maior foi cometido em 1971, com o fim do acento diferencial. Assim, os "burro-cratas" da época tornaram o português mais difícil de ser pronunciado corretamente, pois os pobres habitantes das terras luso-tupiniquins passaram a ter dificuldades para diferenciar a "sede" da empresa da "sede" de quem quer beber água. Se para os lusoparlantes isso já é difícil, imagine para os imigrantes... Mesmo com esta agressão, o idioma conseguiu sobreviver, mesmo com as dificuldades impostas pelo fim do acento diferencial. Pode-se considerar o acento como um sinal de trânsito - ao ler "gôsto" a pessoa já sabe que o "o" tem som fechado, enquanto que a grafia atual "gosto" não dá esta informação. Da mesma forma, a presença de um sinal de trânsito numa estrada diz ao motorista como se deve dirigir, enquanto a ausência dos sinais não informam, por examplo, a velocidade máxima permitida num trecho, podendo levar a um acidente.

Agora, pioraram a situação ainda mais com a reforma ortográfica. Vejamos:

1. Extinção do Trema: Ao contrário do que muitos pensam, esta medida é uma catástrofe pois o trema indica (ou indicava, a partir de hoje) a pronúncia correta de palavras como "conseqüente" que, escrita desta forma, dá a pronúncia correta /konsekwênti/. Creio que muitas pessoas vão começar a falar /konsekênti/, por analogia a "quente".

2. Extinção do acento circunflexo em ôo: O acento circunflexo aqui tem uma importante função de enfatizar a pronúncia /ou/. Isso se faz necessário com a chegada de diversas palavras com as letras "oo" pronunciados de outra forma, como "shampoo" /xampú/ (a forma xampu nunca pegou no Brasil) e "tattoo" /tatú/ (o uso de "tatu" seria no mínimo estranho), sem falar nos famosíssimos "Yahoo" e "Google".

3. Extinção dos acentos em éi, éu: Outra bobagem dos "burro-cratas", pois palavras como "idéia" precisam do acento (até mesmo em Portugal) para enfatizar o vogal aberto, em oposição a palavras como "sereia".

4. Mudanças no uso do hífen: Uma complicação desnecessária e inútil, para complicar ainda mais a vida dos estudantes e dos profissionais que usam a palavra escrita.

Afinal, a quem interessa a reforma ortográfica?
Creio que só há um interessado... as editoras.

Acho até que Olavo Bilac estava prevendo esta confusão ao escrever as suas célebres palavras:

"Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura".


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Carla Guerreiro  Identity Verified
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Uma sugestão de leitura Jan 2, 2009

Olá Paul,

Francamente, não vejo grandes razões para nos alarmarmos, pois este acordo ortográfico não vai matar a língua portuguesa.

Se quiser saber mais, leia o tema de discussão sobre o assunto e aproveito para lhe mostrar o meu blog (escrito em francês), onde falo do acordo ortográfico:

http://mapetiteentreprise1971.spaces.live.com

Tenho também um livrinho em PDF que apresenta todas as alterações. Se quiser, posso enviar-lho.

Carla Guerreiro


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Carla Guerreiro  Identity Verified
France
Local time: 18:12
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Ligação (ou link) para o tema de discussão Jan 2, 2009

Aqui está a ligação relativa ao tema em questão:

http://www.proz.com/forum/portuguese/106915-o_português_de_portugal_vai_passar_a_ser_português_do_brasil.html


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Ivan Costa Pinto  Identity Verified
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Concordo com a Carla Guerreiro Jan 2, 2009

A língua portuguesa não vai morrer por causa das reformas feitas. Ao contrário, vai sobreviver nas penas e bocas dos jovens estudantes, futuros lusófonos completos. Minha família tem mais de 500 anos de tradição em Portugal e no Brasil, e frequentemente eu me indago quantas e quantas vezes, nos últimos 55 anos, tive que aprender novas regras da língua. Trabalhei com o Professor Antonio Houaiss, um dos grandes mestres de nossa língua, e aprendi com ele a ser maleável e flexível no uso diuturno do nosso idioma. Um Viva! para a nossa língua e para o Acordo Ortográfico!!!

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Amarante
Brazil
Local time: 15:12
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Sinceramente acho desnecessário Jan 2, 2009

Não é por comodismo, mas acho desnecessária essa reforma ortográfica. Vai acabar se tornando mais prática com o tempo, quando todos já tiverem assimilado suas novas regras, mas ainda acho que tira a identidade de cada país. Eu, pessoalmente, sempre gostei de acentos, e a comparação com placas de trânsito ficou bem interessante. Por mim, ficaria sem a reforma. Mas quem sou eu para falar isso?

Viva a língua portuguesa, que, apesar da reforma, vai sobreviver!


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Fernando Domeniconi  Identity Verified
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Também acho... Jan 4, 2009

Também acho que a reforma é falta do que se fazer. Ao invés de se ficar decidindo se o trema é ou não necessário, deveriam investir mais tempo educando pessoas que podem ser encontradas aos milhares na internet escrevendo "naum fikei indecizo" e outras pérolas do gênero. Afinal de contas, esses sequer sabem o que é o trema e que existem regras para uso do hífen...

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M. Cristina P. Pereira
Brazil
Local time: 14:12
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Língua Forçada Jan 4, 2009

Uma língua não morre assim, mas concordo que a reforma é desnecessária, coisa de burocratas! Infelizmente, muito da língua portuguesa, especialmente no Brasil, vem sendo regulado assim: na imposição, no decreto no canetaço! De 1971 para cá é pouco tempo, no espaço de uma língua, para duas reformas. O que prevaleceu foi o interesse em vender os novos livros, neste país, onde os livros são caríssimos, tornar alguns imprescindíveis (dicionários e gramáticas) ajuda a empurrar para a frente nossa indústria das publicações.
*suspiro*


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José Ignacio Coelho Mendes Neto  Identity Verified
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Atentado Ortográfico Feb 3, 2009

Sou totalmente contrário a essa iniciativa funesta, pelos seguintes motivos:

1 - A língua não se faz por meio da lei. Deviam deixar isso a cargo dos usuários e estudiosos da língua.
2 - Se é para legislar sobre o idioma, que se cristalizem na lei os usos consagrados, e não normas artificiais e estranhas ao país e aos usuários.
3 - Os motivos apresentados são obscuros ou escusos. Primeiro, o da suposta unificação, que não ocorre porque o AO cria mais diferenças por causa de grafias alternativas e facultativas.
4 - Segundo motivo ilusório, o da projeção internacional do português: outras línguas alcançam projeção sem terem ortografia unificada, porque na verdade essa projeção depende de fatores extra-lingüísticos, como o poder econômico ou o desenvolvimento institucional e cultural do país.
5 - Terceiro motivo falacioso, o da simplificação ou facilidade: ninguém aprende uma língua por ser mais fácil que outra, e na verdade o AO acrescenta dificuldades ao permitir mais grafias alternativas e ao retirar elementos diferenciadores importantes (acento agudo nas vogais abertas, acento diferencial, trema).
6 - Só para citar alguns problemas criados para o português do Brasil:
- como se explica para uma criança ou pessoa que aprende o português que não se diz "baléia" ou "seréia", se "ideia" não leva acento?
- como se explica que o carro não "engüiça", se a "linguiça" não leva trema?


Na minha opinião, é extremamente perigoso lançar esse monte de incertezas sobre o idioma, porque passa a impressão de que a língua escrita é totalmente arbitrária, e isso só desestimula o aprendizado. No Brasil, do jeito que as pessoas já têm desprezo pela escrita e pela cultura, só terão mais motivos para se recusar a escrever e pensar com rigor.

Entrei em contato com alguns órgãos públicos e entidades de classe aqui no Brasil para cobrar deles posição contrária ao AO, ou pelo menos uma declaração qualquer, mas jamais obtive resposta, exceção feita do lexicógrafo-chefe da Academia Brasileira de Letras, que manifestou, em caráter privado, sua desaprovação diante do Atentado.

Não vejo os escritores brasileiros tomarem posição. Os meios de comunicação aderiram automaticamente à reforma estulta com um capachismo inacreditável. Os promotores dessa patuscada (Instituto Antônio Houaiss, Evanildo Bechara, ABL) imediatamente publicaram suas "obras de atualização" para extorquir dinheiro do público mediante a deturpação irresponsável do idioma.

Fico indignado com a inércia que toma conta das pessoas diante do aviltamento da sua própria língua, e com o oportunismo dos governantes que dela se aproveitam para alimentar vãos delírios de... de que serão? Projeção internacional do português? Língua oficial da ONU? Como se isso se fizesse com canetadas canhestras que só avacalham o idioma.

Além disso, é completamente inútil querer intervir na língua desse modo. Só vai criar problemas dentro do país, e nenhuma aproximação com os outros países lusófonos. Só servirá para as editoras e autores oportunistas tentarem ganhar dinheiro com livros de "atualização". Temos todos muito mais o que fazer do que perder tempo com essas idiotices criadas e impostas pela burrice alheia. Temos muitas preocupações de conteúdo a serem resolvidas e não precisamos de mais um obstáculo formal, desnecessário e prejudicial.

Na minha opinião, todos aqueles que trabalham com a língua deveriam tomar posição contra o Atentado Ortográfico, exigir das autoridades que ele seja revogado e recusar-se a aplicá-lo.


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