OT: Carta Aberta aos Tradutores (sobre a Questão dos Plágios)
Thread poster: Ana Resende

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Feb 24, 2010

Estou repassando mensagem enviada pela profa. Dra. e tradutora Ivone C. Benedetti. Quem quiser mais informações, pode acessar o blogue http://naogostodeplagio.blogspot.com/.
Ana Resende

"Prezados colegas

Acredito que a grande maioria dos tradutores esteja a par das atividades da colega Denise Bottmann na denúncia de plágios em tradução e dos processos que lhe vêm sendo movidos por algumas das editoras praticantes desse crime. Os que não tiverem acompanhado o desenrolar dessas denúncias e quiserem maiores informações poderão obtê-las no seu blogue: http://naogostodeplagio.blogspot.com/

Nos últimos dois anos, Denise pôs às claras um crime que vinha sendo acobertado pela ignorância ou pela omissão. Tudo o que fez, segundo ela, foi em defesa do nosso patrimônio cultural. De toda essa atividade esfalfante nós, tradutores que assistimos de camarote, colhemos alguns frutos não programados, que talvez não tenham sido bem avaliados por muitos. Cito alguns:

1.. Pela primeira vez a imprensa tem dado atenção constante e séria ao problema dos direitos autorais em tradução, o que contribui, por tabela, para pôr fim à invisibilidade de que sempre padecemos e para aumentar o nível de consciência em torno de distorções sistêmicas do sistema editorial.
2.. Os grandes jornais, que sempre descumpriram a lei de direitos autorais, a partir do início da denúncia dos plágios, numa atitude inusitada à qual sempre se mostraram refratários, passaram a inserir em cada resenha o nome do respectivo tradutor, certamente por terem percebido a importância que essa divulgação pode ter para marcar uma autoria e assim opor algum entrave à desenvoltura com que editoras mal­-intencionadas se aproveitam do trabalho alheio.
3.. As próprias editoras de boa-fé começaram a avaliar melhor a utilidade dessa divulgação, porque se sentem lesadas pela concorrência desleal de quem não paga direitos de tradução e não se dá o trabalho de retraduzir, já que encontra todas as facilidades para copiar fraudulentamente.
4.. Fica aberto, por meio de tais denúncias, o caminho para a reclamação de direitos por parte dos tradutores cujos trabalhos foram objeto da fraude dos direitos autorais.
5.. Seus cotejos não põem a nu apenas a má-fé, mas também outra chaga que, teoricamente, não deveria existir num meio de difusão cultural: a ignorância crassa. Porque só onde ela reina é possível acreditar na viabilidade de duas traduções idênticas.

Mas o principal objetivo desta carta não é reiterar informações que já devem ou deveriam ser do conhecimento geral. O objetivo é lembrar algumas implicações que talvez tenham ocorrido a muitos, mas ficaram relegadas àqueles escaninhos da consciência onde costumam ser guardadas as imagens incômodas.

O que representa em termos de investimento financeiro uma atividade como essa? Para trazer tudo isso à tona, quantas horas foram desviadas do trabalho remunerado e dedicadas à tarefa de levantar edições, fazer cotejos de traduções, redigir relatórios, publicá-los no blogue etc.? E quando, em consequência dessa mesma atividade, os denunciados resolvem mover processos, o que pode significar em termos financeiros contratar advogados, reunir-se com eles, arcar com custas, comparecer em audiências e coisas do gênero? Por fim, qual o peso de tudo isso em termos de pressão psicológica?

Foi ao me fazer essas perguntas que decidi tomar a iniciativa de escrever esta carta aberta aos colegas, convidando-os a considerar as maneiras que estiverem ao seu alcance para dar um apoio mais concreto a uma colega neste momento difícil.

Estendo essa exortação à ABRATES, para que essa associação passe a atuar de modo mais incisivo, com todos os meios que estiverem ao seu alcance para maior divulgação e discussão do assunto ou, por exemplo, estabelecendo cotejos imparciais entre traduções originais e copiadas para uma eventual produção de provas de fraude, o que talvez já de saída desestimule os fraudadores a mover processos. Lembro que em seu site há uma chamada para a questão do plágio, na qual consta a frase "A ABRATES dá pleno apoio às iniciativas de Denise Botmann etc...". Pois bem, que esse apoio se torne mais concreto!

Também exorto o SINTRA, em cujo site não encontrei uma só linha sobre a questão do plágio, a tomar posição e desempenhar papel atuante como sindicato. Pois não é possível que uma tarefa tão descomunal seja exercida por uma pessoa apenas, e que o sindicato da categoria pareça alheio a um fato consumado e clamoroso que envolve de maneira tão profunda profissionais sob sua tutela.

Colegas, quanto a nós da Litterati, só me ocorreu propor à Denise uma contribuição monetária. De início ela relutou, mas depois reconheceu todas as dificuldades que vem enfrentando e concordou em divulgar sua conta bancária (ver abaixo). Sei que não poderemos solucionar todos os seus problemas, por maiores que sejam nossas doações, mas que essa seja uma maneira anônima e singela de contribuir, de dizer "muito obrigado, reconhecemos o seu trabalho".

Anter de terminar gostaria de enfatizar o seguinte:
1.. as contribuições devem ser anônimas, no valor que pareça cabível a cada um;
2.. por favor, não mandem para a lista mensagens de concordância ou discordância em relação a esta carta; quem não concordar com esta sugestão simplesmente deixe de contribuir.

Muito obrigada
Ivone C Benedetti

Dados da conta:
denise bottmann
cpf 393.528.039-49
banco 0399 - hsbc
agência 0199 - registro, sp
c/c 03228-48"


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